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No Reino 21

Somos uma família. Apenas uma família. Monoparental, com um cromossoma a mais e amor, sobretudo muito amor.

Somos uma família. Apenas uma família. Monoparental, com um cromossoma a mais e amor, sobretudo muito amor.

No Reino 21

04
Abr17

Ser mãe não é um estado civil!

No Reino 21

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Lembro-me que era adolescente e passou uma reportagem sobre inseminação artificial em mulheres solteiras em Portugal. Eram duas clínicas, uma em Lisboa e uma no Porto, que, aproveitando um vazio legal nesta temática, aceitavam fazê-lo. Sei que fiquei tranquila, que foi importante saber que só dependia de mim, que um dia, quando decidisse ser mãe, podia fazê-lo, sem precisar de mais ninguém. Ser mãe não é realmente um estado civil, vai muito para além disso. Percebo que as opiniões se dividam, que exista quem critique e vou sempre acreditar que nas decisões pessoais de cada um ninguém tem que se meter. São as minhas decisões, as minhas opiniões que podem mudar no dia em que eu quiser que mudem. Porque eu decido assim. A forma como os meus filhos reagem às minhas decisões terá sempre a ver com a educação que lhes der e, não tendo, será sempre assunto nosso. Sou mãe. Apenas mãe. A mãe deles.

29
Mar17

Dia D

No Reino 21

Na segunda-feira senti algumas tonturas e decidi ir à farmácia medir a tensão. Tensão normal, pulsação 156 por minuto. Fui aconselhada a ir à urgência de obstetrícia e, depois de um electrocardiograma e algum descanso a pulsação normalizou e regressei a casa. Sei exatamente o que aconteceu, cansaço, noites sem dormir com dores, alergias e sem posição e alguma ansiedade com a ecografia morfológica e a ecocardiografia fetal a fazer hoje. E hoje foi o dia D. 40% das crianças com trissomia 21 tem cardiopatias e, depois de no rastreio o médico ter detectado regurgitação tricúspide, ia com alguma ansiedade. O médico que me atendeu foi excelente, pôs-me à vontade, conversou comigo e fez um exame minucioso que durou quase uma hora. A minha filha esteve sempre a mexer, como é normal, dificultando o trabalho do médico. Veredito? Tudo normal. Coração sem alterações, eco morfológica perfeita e uma mãe tranquila e radiante. A seguir ainda tivemos tempo para usufruir de 5 minutos de ecografia 4D e vale tanto a pena... É linda a minha pequena L. estou ansiosa para que o tempo passe para tê-la, finalmente, comigo.

19
Mar17

Informação e mais informação

No Reino 21

Esta semana fomos ao obstetra. Já é meu médico desde a adolescência, acompanhou a gravidez e o parto do M., já existe uma confiança que ultrapassa a relação médico-paciente. Foi uma ecografia demorada, para mostrar ao M. tudo o que podia ver da irmã. Contaram-se os dedos, mediu-se tudo, analisou-se cada pormenor. Tudo indica que ela está bem, faltam as provas de fogo do final do mês que aguardo com ansiedade. Ontem fui com a minha mãe a uma consulta com o Dr. Miguel Palha, pediatra de desenvolvimento e especialista em Trissomia 21. Saímos de lá tranquilas e, principalmente, orientadas. Foi muito bom perceber exatamente o que devo fazer assim que a minha filha nascer. Estou encaminhada, tenho uma orientação, um grande apoio.

15
Mar17

Cumplicidade

No Reino 21

Lembro-me que na gravidez do M. ele se mexia muito, apesar de só ter começado a senti-lo por volta das 20 semanas. Desta vez, às 16 semanas já conseguia sentir sempre que ela se mexia. É engraçado isto da comunicação. Ela tem poucos centimetros, não a ouço, nem a vejo, mas já existe entre nós uma forma de comunicação e uma cumplicidade que é para a vida. Mesmo quando ela está mais parada basta pousar a mão na barriga e tenho logo direito a um pequeno pontapé. 

Esta semana fomos à urgência com um pequeno sangramento. Estava tudo bem. Tenho um "bebé de luxo" com uma "vitalidade excelente", palavras da médica. Nem referi que ela tem trissomia, fico sempre com a sensação de que, quando os médicos sabem, os diagnósticos são sempre mais negativos. Senti sempre alguma "pressão" para abortar, ainda que não tenha pedido opinião a ninguém por já ter a decisão tomada. Acho que há um grande desconhecimento ou um grande preconceito por parte da comunidade médica relativamente à trissomia 21 e, quando me apercebi, distanciei-me dessas opiniões e concentrei-me na opinião dos pais. São os pais que estão presentes, que acompanham, que passam por todas as dificuldades e por todas as conquistas e o que mais tenho ouvido é "há momentos difíceis, mas não é uma drama". E não é assim com todos os filhos?

01
Mar17

Porquê

No Reino 21

Cá em casa somos 3. A mãe (eu mesma), o M. (um pré adolescente de quase 13 anos) e a Mel (a nossa pequena cadela).

É assim há 8 anos, dia em que a Mel entrou na nossa casa e na nossa vida. Antes, éramos só os 2.

Tenho 36 anos. Construí a vida que quis para mim. Não vos sei dizer a minha profissão, mas encontrei a vocação no dia em que soube que estava grávida do M. Fui sempre assim, desde pequena, com objetivos traçados em volta de um sonho, ser mãe.

Tive-o cedo, com 23 anos e depois do relacionamento com o pai dele ter terminado. Numa vila pequena, numa altura em que os 23 anos já eram uma idade precoce para ter filhos. Ouvi de tudo. Todos os comentários que punham em causa aquela minha nova condição. E 13 anos depois tenho o melhor filho do mundo e um rol de elogios sempre que alguém se refere a ele. E 13 anos depois estou grávida novamente. Sozinha por opção.

Nunca quis ter só um filho. Engravidar novamente fez sempre parte dos meus planos. Adiei por várias questões e em 2016 preparei-me para a concretização. Fiz três inseminações artificiais. Em Espanha. A última depois de ter saído em Portugal a nova lei de alargamento da PMA a todas as mulheres. E, finalmente, engravidei.

Ouvi de tudo, mais uma vez. Agora com mais segurança e maior indiferença aos comentários dos outros. A idade também traz coisas boas. E no rastreio bioquímico do 1º trimestre, sozinha no hospital, depois de uma ecografia demorada e silenciosa, chegou o primeiro veredito. Probabilidade de 1:6 de o meu bebé ter trissomia 21. Confesso que não foi um choque, acho que há coisas que se sentem e já tinha falado dessa possibilidade com a família e os amigos mais próximos. Esperei pela biópsia. Tentei duas vezes e das duas vezes não foi possível fazê-la em segurança. Marquei o dia da amniocintese e, como ainda teria que esperar algumas semanas, aventurei-me num Test Harmony que me daria mais cedo um resultado. E quando ele chegou já eu estava preparada com informação e testemunhos sobre trissomia 21. Vou ter uma filha, com um cromossoma a mais. E, apesar de todos os medos e preocupações, estou muito feliz!

 

 

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