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No Reino 21

Somos uma família. Apenas uma família. Monoparental, com um cromossoma a mais e amor, sobretudo muito amor.

Somos uma família. Apenas uma família. Monoparental, com um cromossoma a mais e amor, sobretudo muito amor.

No Reino 21

07
Mai17

Mãe

No Reino 21

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Às vezes é difícil. Tão difícil. A dualidade de sentimentos em vê-los crescer, o orgulho em ver os valores e princípios que transmitimos todos ali, numa só pessoa que é tão nossa e vê-los cada vez mais longe, mais independentes. Saber que em pouco tempo não os temos todos os dias, que deixamos de controlar se estão em segurança, se estão bem. Às vezes é tão difícil. Mas é isto, é exatamente isto que nos transforma no que somos. Somos mães. As mães. Que vivem com o coração fora do corpo. Que sufocam de amor de cada vez que olham para eles. Que os amarão sempre e para sempre, incondicionalmente. Sempre me foi difícil pensar no crescimento do M. e ainda é, nessa "separação" inevitável que apenas significará a independência e autonomia do meu filho e a vida encarregou-se de me ensinar como isso é importante. As minhas ansiedades com o M. serão sempre o meu maior objetivo com a L.. Hoje sou mãe de dois e sê-lo-ei para sempre. Hoje sei que tenho na minha vida dois desafios diferentes com dois filhos diferentes e que a minha visão do mundo mudou em todos os sentidos. Hoje sei que tudo em mim duplicou e que o amor que tenho para lhes dar não tem limites e mover-me-á sempre para onde eles estiverem.

24
Abr17

Meu tudo

No Reino 21

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Ele é a minha base, a minha vida, a minha força maior. Chegou no momento certo e é perfeito em todos os momentos. Ele entende-me. Atura-me. É o meu elo de ligação à terra. A melhor parte de mim. A que me permite sonhar, persistir, a que me permite ser exatamente o que sou. 

É o meu filho, o meu menino, o meu amor maior.

24
Abr17

Sobre anjos, sobre perfeição, sobre pessoas especiais, sobre a minha filha

No Reino 21

Há uns dias, no blog "Cromossoma Extra", li um texto que não podia deixar de partilhar. Independentemente de qualquer crença, de poder ter ou não algum fundo de verdade, o texto é lindo, é sereno, apazigua, faz-nos também a nós mães sentirmo-nos especiais.

Não sei se é assim, não sei se vai ser assim. Sei que a minha minha filha será sempre perfeita para mim.

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"Alguma vez pensou como Deus escolhe as mães das crianças especiais?

Eu já… Uma vez vi Deus a pairar sobre a Terra, selecionando o seu instrumento de propagação com grande carinho (…). Enquanto observava, instruía os seus Anjos a tomarem nota num grande livro:

– Para a Beth, um menino. Anjo da Guarda, Matheus.

– Para a Miriam, uma menina. Anjo da Guarda, Cecília.

– Para a Regina, gémeos. Anjo da Guarda Geraldo, ele já está habituado.

Finalmente, Ele passa um nome para o Anjo, sorri e diz:

– Dê a esta mãe uma criança deficiente. O Anjo, cheio de curiosidade, pergunta:

– Porquê ela, Senhor? Ela é tão alegre!

– Exatamente por isso, diz Ele. Como poderia eu dar uma criança a uma mãe que não sabe o valor de um sorriso? Seria cruel…

– Mas será que ela vai ter paciência?

– Eu não quero que ela tenha muita paciência – disse Deus – porque aí ela irá afogar-se no mar da autopiedade e desespero. Logo que o choque e o ressentimento passem, ela saberá como conduzir a situação. Eu hoje estive a observá-la. Ela tem aquele forte sentimento de independência.

O Anjo retorquiu:

– Mas ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não será fácil. Além do mais, Senhor, acho que ela nem acredita na Sua existência.

Deus sorri, e diz:

– Não tem importância. Eu posso dar um “toque” nisso. Ela é perfeita. Possui o egoísmo no ponto certo.

O Anjo engasgou-se:

– Egoísmo? E isso é, por acaso, virtude?

Deus, acenou que sim e acrescentou:

– Se ela não conseguir separar-se da criança de vez em quando, ela não sobreviverá. Sim, esta é uma mulher que abençoarei com uma criança menos perfeita. Ela ainda não faz ideia, mas será, também, muito invejada. Ela nunca irá admitir uma palavra mal dita, nunca considerará um passo como uma coisa comum. Quando a sua criança disser “mãe” pela primeira vez, ela pressentirá que está a presenciar um milagre. (…) Eu permitir-lhe-ei ver claramente coisas como ignorância, crueldade, preconceito e ajudá-la-ei sempre a superar tudo. Eu estarei a seu lado a cada minuto da sua vida, porque ela vai estar a trabalhar comigo.

– Bom – disse o Anjo – e quem o Senhor está a pensar mandar como Anjo da Guarda?

Deus sorriu e disse:

–Dê-lhe um espelho. É o suficiente.”

(Autor desconhecido)

17
Abr17

Amigas

No Reino 21

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Que sejam sempre amigas, cúmplices, que brinquem muito, que partilhem mimo. Não tenho dúvidas de que será assim.

09
Abr17

23 semanas de nós

No Reino 21

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 Ando cansada. Não durmo. Fico ansiosa. As alergias vieram para ficar. A anemia instalou-se desde o primeiro dia. A pulsação está sempre em alta, às vezes com picos mais alarmantes. E eu estou tão feliz. E tu mexes-te todo o dia e toda a noite e invades-me o coração com a tua presença constante. E eu sorrio a cada movimento, converso contigo, vejo-te a reagir à minha voz, ao meu toque. 23 semanas de magia e eu conto os dias para te poder pegar no colo, para saber que estás bem.

 

04
Abr17

Ser mãe não é um estado civil!

No Reino 21

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Lembro-me que era adolescente e passou uma reportagem sobre inseminação artificial em mulheres solteiras em Portugal. Eram duas clínicas, uma em Lisboa e uma no Porto, que, aproveitando um vazio legal nesta temática, aceitavam fazê-lo. Sei que fiquei tranquila, que foi importante saber que só dependia de mim, que um dia, quando decidisse ser mãe, podia fazê-lo, sem precisar de mais ninguém. Ser mãe não é realmente um estado civil, vai muito para além disso. Percebo que as opiniões se dividam, que exista quem critique e vou sempre acreditar que nas decisões pessoais de cada um ninguém tem que se meter. São as minhas decisões, as minhas opiniões que podem mudar no dia em que eu quiser que mudem. Porque eu decido assim. A forma como os meus filhos reagem às minhas decisões terá sempre a ver com a educação que lhes der e, não tendo, será sempre assunto nosso. Sou mãe. Apenas mãe. A mãe deles.

29
Mar17

Dia D

No Reino 21

Na segunda-feira senti algumas tonturas e decidi ir à farmácia medir a tensão. Tensão normal, pulsação 156 por minuto. Fui aconselhada a ir à urgência de obstetrícia e, depois de um electrocardiograma e algum descanso a pulsação normalizou e regressei a casa. Sei exatamente o que aconteceu, cansaço, noites sem dormir com dores, alergias e sem posição e alguma ansiedade com a ecografia morfológica e a ecocardiografia fetal a fazer hoje. E hoje foi o dia D. 40% das crianças com trissomia 21 tem cardiopatias e, depois de no rastreio o médico ter detectado regurgitação tricúspide, ia com alguma ansiedade. O médico que me atendeu foi excelente, pôs-me à vontade, conversou comigo e fez um exame minucioso que durou quase uma hora. A minha filha esteve sempre a mexer, como é normal, dificultando o trabalho do médico. Veredito? Tudo normal. Coração sem alterações, eco morfológica perfeita e uma mãe tranquila e radiante. A seguir ainda tivemos tempo para usufruir de 5 minutos de ecografia 4D e vale tanto a pena... É linda a minha pequena L. estou ansiosa para que o tempo passe para tê-la, finalmente, comigo.

19
Mar17

Informação e mais informação

No Reino 21

Esta semana fomos ao obstetra. Já é meu médico desde a adolescência, acompanhou a gravidez e o parto do M., já existe uma confiança que ultrapassa a relação médico-paciente. Foi uma ecografia demorada, para mostrar ao M. tudo o que podia ver da irmã. Contaram-se os dedos, mediu-se tudo, analisou-se cada pormenor. Tudo indica que ela está bem, faltam as provas de fogo do final do mês que aguardo com ansiedade. Ontem fui com a minha mãe a uma consulta com o Dr. Miguel Palha, pediatra de desenvolvimento e especialista em Trissomia 21. Saímos de lá tranquilas e, principalmente, orientadas. Foi muito bom perceber exatamente o que devo fazer assim que a minha filha nascer. Estou encaminhada, tenho uma orientação, um grande apoio.

15
Mar17

Cumplicidade

No Reino 21

Lembro-me que na gravidez do M. ele se mexia muito, apesar de só ter começado a senti-lo por volta das 20 semanas. Desta vez, às 16 semanas já conseguia sentir sempre que ela se mexia. É engraçado isto da comunicação. Ela tem poucos centimetros, não a ouço, nem a vejo, mas já existe entre nós uma forma de comunicação e uma cumplicidade que é para a vida. Mesmo quando ela está mais parada basta pousar a mão na barriga e tenho logo direito a um pequeno pontapé. 

Esta semana fomos à urgência com um pequeno sangramento. Estava tudo bem. Tenho um "bebé de luxo" com uma "vitalidade excelente", palavras da médica. Nem referi que ela tem trissomia, fico sempre com a sensação de que, quando os médicos sabem, os diagnósticos são sempre mais negativos. Senti sempre alguma "pressão" para abortar, ainda que não tenha pedido opinião a ninguém por já ter a decisão tomada. Acho que há um grande desconhecimento ou um grande preconceito por parte da comunidade médica relativamente à trissomia 21 e, quando me apercebi, distanciei-me dessas opiniões e concentrei-me na opinião dos pais. São os pais que estão presentes, que acompanham, que passam por todas as dificuldades e por todas as conquistas e o que mais tenho ouvido é "há momentos difíceis, mas não é uma drama". E não é assim com todos os filhos?

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